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POETA É O POVO

POESIA

POETA É O POVO

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13
Mai21

LEMBRAS-TE MANO ?


Maria Letras sopa-de-letras

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Ainda te lembras mano como foi
Quando partiu a minha filha amada?
Essa perda que hoje ainda me dói
Mesmo sendo p'la saudade sufocada

E quando foram nosso pai e nossa mãe?
Todos nós tão chorosos, tão perdidos
Toda a família ficou orfã também
É orfão quem perde entes queridos

E depois quando foi meu companheiro?
Teu também das amenas cavaqueiras
Tu foste o meu apoio, foste o conselheiro

E agora mano quem vai compreender
Este vazio, as saudades sobranceiras
Por estar há dois anos sem te ver ?!

Maria Letras,UK
13.05.2021

06
Mai21

ANTÓNIO PINTO BASTO, PARABÉNS !


Maria Letras sopa-de-letras

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Que significa uma vida
Perante a eternidade
É gota de água caída
No mar que não tem idade

E por ser assim pequena
Deve ser aproveitada
Só deve trazer-se à cena
Felicidade e mais nada

Nascer na tua cidade
Nem todos têm a sorte
É ter na alma intensidade
Desde o berço até à morte

Mais um ano menos um ano
Bem pouca diferença faz
Se há num corpo veterano
Um coração de rapaz

Ser fadista é ter na vida
Uma razão p'ra seguir
Segue de cabeça erguida
Que o melhor está para vir

Maria Letras, UK
06.05.2021

02
Mai21

MINHA MÃE


Maria Letras sopa-de-letras

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Deste-me a vida sem a minha permissão
Eu surgi sem te perguntar se me querias
Por essa dádiva passaste mil tormentas
Os teus vinte e três anos plenos de ilusão
Criavam um futuro de sonho que esculpias
Com tuas mãos que de amor eram sedentas

Foi assim o nosso encontro neste mundo
Fundidas nessa força que faz sobreviver
Lutando dia a dia contra a hostilidade
E hoje esta tristeza em que me afundo
Leva-me de volta ao momento de nascer
Mil perguntas na incerteza que me invade

Minha mãe que com carinho me levaste
Pela vida como se fosse o teu troféu
E me deste quase tudo quanto te faltou
Teus velhos sonhos em mim depositaste
Por mim ergueste as tuas mãos ao céu
E por ti, o céu, tantas vezes te escutou

Maria Letras, UK
02.05.2021

25
Abr21

TRISTEZA DE DOMINGO À TARDE


Maria Letras sopa-de-letras

 

Que triste a luz brilhante desta tarde de domingo
Que angústia a infiltrar-se pelas frestas da janela
O silêncio da cidade que parece estar dormindo
Desmaiando o meu sentir como tinta de aguarela

Nem o livro, nem o filme, nem a música me anima
Vem de longe a tristeza que me invade o coração
O amor desencontrado é como verso que não rima
Pode até ser verdadeiro mas não mata a solidão

Que mais motivo há para a vida se não for a ilusão
As histórias, os poemas, os amores e as canções
Se a estrada do nascer nos conduz sem compaixão
À tristeza de morrer após as muitas decepções

Apenas um domingo mais como tantos já vividos
Quem sabe quantos mais me restarão para viver
Melhor será adocicar e relaxar os meus sentidos
E deixar que a alegria tome conta do meu ser


Maria Letras, UK
25.04.2021

08
Abr21

SONHOS DE CRIANÇA


Maria Letras sopa-de-letras

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Tão longe estão os tempos de criança
Povoados de doces quimeras e ilusão
Meu peito a transbordar de esperança
Vontade d'outros mundos d'outro chão

Colonialismo era apenas uma palavra
Não cabia na minha alegre fantasia
Cultivava sonhos como quem lavra
A terra que dará o pão de cada dia

Talvez Angola, Moçambique ou o Brasil
Lugares onde o meu devaneio infantil
Inventava outras crianças como eu

Sabia os nomes por ouvi-los tanta vez
E se era lá que se falava português
Onde mais poderia pairar o sonho meu ?

Maria Letras, UK
08.04.2021

08
Abr21

GÊNESIS 3:19 POEMATIZADO


Maria Letras sopa-de-letras

 

 

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*Com o suor do teu rosto comerás o teu pão*
Para que não te falte, trabalha honestamente

Não esperes de outrém o que é tua obrigação
Tens em tuas mãos a vida, teu maior presente

*Até que voltes ao solo*o que não demorará
*Pois da terra foste formado* por mão divina
*Porque tu és pó e ao pó da terra retornará*
Todo aquele que vive e que à terra se destina

Há povos famintos pela vida a caminhar
Sem ter nada, sem um tecto para se abrigar
Pés descalços, comendo o pó da estrada

E a Terra, mãe de todos, sofre amargamente
Vai chorando, desolada, a tragédia dessa gente
E o pranto cai do céu em forma de enxurrada

Maria Letras, UK
21.03.2021



04
Abr21

FERIADOS E DIAS SANTOS


Maria Letras sopa-de-letras

A saudade é minha amiga
Voltando em cada feriado
E em contramão pela vida
Regressamos ao passado

Dias felizes de outrora
De alegria e confusão
Tão diferentes dos de agora
Desta amarga solidão

Quer na Páscoa ou no Natal
Ou qualquer outro feriado
A farta mesa, habitual
E o coração saciado

Toda a família lá vinha
Alguns amigos também
Entre a sala e a cozinha
Era um constante vaivém

Desde que eu era pequena
Que se cumpre a tradição
Dos pais aprendi a cena
Passei depois à acção

Mas nesta era malvada
De vírus e proibição
Está a saudade parada
Dentro do meu coração.

Maria Letras, UK

04.04.2021

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22
Mar21

DAQUELA JANELA EM LONDRES


Maria Letras sopa-de-letras

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Daquela janela, em Londres, eu via a rua até ao fim.
À tardinha via o sol que se escondia no horizonte.
Era a hora a que acordava , a chorar, dentro de mim,
A angústia, dolorosa, e a saudade do meu monte.

Alentejo, terra querida, como doía a saudade,
De te ver, de te sentir, de cheirar campos lavrados.
Fechava os olhos via as torres, ao longe, na cidade.
E os meus sonhos de criança corriam desvairados.

Os mistérios desse mundo que eu queria adivinhar,
Revelaram-se, mais tarde, ondas perigosas, alto mar,
Nos caminhos, desta vida, que pisava com cautela.

Olhos fechados, da cadeira de baloiço, eu via desfilar,
Em nuvens de algodão doce, os sonhos por realizar,
Ao pôr-do-sol que eu via, em Londres, daquela janela.

Maria Letras, UK
22.03.2021

20
Mar21

NAQUELE TEMPO A PRIMAVERA


Maria Letras sopa-de-letras

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NAQUELE TEMPO A PRIMAVERA

Do outro lado da rua, havia um terreno baldio
Por entre as ervas daninhas, lá estavam elas
Apesar de ainda chover e se fazer sentir o frio
Explodiam flores brancas, roxas e amarelas

Saía da escola a correr, mas parava no portão
Extasiada, espalhava o olhar no colorido manto
Alegria a desabrochar no meu pequeno coração
Um sorriso luminoso disfarçava o meu espanto

A Senhora Dona Lurdes, dedicada professora
Com mestria domava a minha mente sonhadora
Educando e ensinando nesse tempo de quimera

E eu, feliz como um potro brincalhão e selvagem
A cada dia parava no portão, olhando essa miragem
Era o tempo em que voltava, colorida, a Primavera

Maria Letras, UK
20.03.2021

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