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POETA É O POVO

POESIA

POETA É O POVO

POESIA

25
Abr20

RELEMBRANDO ABRIL DE 1974


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Abril chegara como todos os anos

Cada qual na sua incolor vidinha

Não suspeitava o que lá vinha

Nem que iam fechar-se os panos

Da vida que, então, o povo tinha

 

Na sonhadora Primavera da vida

O coração a bater descompassado

Nunca tinha sequer adivinhado

Que o país tinha gente destemida

Para encerrar as portas do passado

 

Explodiu em meu peito a alegria

Esperança desmedida se instalou

Aquele dia, que em mim não terminou

É, ainda, em minha alma já vazia

O gosto bom do tempo que passou

 

Trago, agora, no peito a desilusão

Sonhos para sempre arruinados

E a tristeza de os ver despedaçados

Longe da terra, tenho ainda o coração

Nesses tempos de alegria já passados

 

Maria Letras, UK 24.04.2020

22
Abr20

FICA AÍ PARADO !!!


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FICA AÍ PARADO !!!

Quando Deus criou o mundo

Criou-o com muito gosto

Numa fracção de segundo

Pintou o céu ao sol posto

 

Do arco-iris Deus criou

Grande paleta de cores

Foi daí que ele tirou

As cores que deu às flores

 

Deu verde aos vales e montes

Espalhou viço em seu redor

Colocou água nas fontes

Tudo fez com muito amor

 

Deus de azul pintou o céu

E salpicou de prateado

Assim na noite de breu

Fica o céu todo estrelado

 

De mão no cabelo grisalho

Deus sentou-se a descansar

E pensou que o seu trabalho

Merecia alguém p'ró cuidar

 

Mãos à obra novamente

Fez então o ser humano

Mas Deus não estava ciente

Que aquilo fosse um engano

 

Descansado foi dormir

E quando um dia acordou

Viu que já estava a ruir

O mundo que ele criou

 

Então Deus muito zangado

Deu ao homem a pandemia

Castigo por ter faltado

Áquilo que Deus queria

 

Gritou ...fica aí parado

Enquanto concerto o mundo

E vê lá se tens cuidado

Que estás a bater no fundo !

 
Maria Letras, UK 22.04.2020

 

10
Abr20

QUERO SER ÁGUA QUE FLUI


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Quero ir à minha terra
Perder-me no Alentejo
Para procurar por mim
A cada dia que se encerra
Sinto aumentar o desejo
De à saudade pôr um fim

Sobreiros e azinheiras
Na planície infinita
E o dourado das searas
Papoilas como bandeiras
E minha alma que grita
Por essas pérolas raras

Quero saber onde deixei
A inocente alegria
Que tinha pela manhã
Os sonhos que lá sonhei
A pureza a fantasia
O cheiro da hortelã

Quero ir juntar os cacos
Daquela que um dia fui
E na vida se quebrou
A história ignora os fracos
Quero ser água que flui
Da fonte que já secou

Maria Letras, UK 10.04.2020

07
Abr20

POBRES DE NÓS


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Que estranha forma de vida

Como a Amália escreveu

Sem suspeitar da partida

Que o destino ao mundo deu

Esta vida é uma viagem

Numa estrada esburacada

Há que ter muita coragem

P'ra seguir a caminhada

Pobres de nós que pensamos

Ser donos do nosso ser

Quando afinal não passamos

De água de rio a correr

Galgamos vales e montes

Contornamos as barreiras

Queremos novos horizontes

Sonhamos outras fronteiras

E nessa insana correria

Não vemos o aproximar

Dessa eterna maresia

Onde vamos desaguar

 

Maria Letras, UK 06.04.2020

07
Abr20

SOMOS MULHERES ...E AMAMOS !


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Fomos meninas

E amamos

 

Veio a adolescência

E amamos

Namoramos e casamos

E amamos

Geramos e parimos

E amamos

Vieram os filhos

E amamos

Lavámos e cozinhamos

E amamos

Amamentamos e embalamos

E amamos

Corremos para o trabalho

Corremos de volta para casa

E amamos

Fomos o ombro amigo

E amamos

Porto seguro da familia

E amamos

Às vezes maltratadas

E amamos

Chegaram os netos

e amamos

Cuidamos dos nossos velhos

E amamos

Chegamos às últimas páginas do livro

Não queremos incomodar

Queremos apenas ser amadas

 

Maria Letras, UK 06.04.2020

21
Mar20

21 DE MARÇO DE 2020


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A Primavera já chegou

Traz consigo a poesia

Tudo o que o vento levou

Há-de voltar qualquer dia

 

Magia da renovação

Mais um ciclo cumprido

A natureza em acção

Vai dando á vida sentido

 

Um poema não é mais

Que flor a desabrochar

São selvagens matagais

A alma de onde brotar

 

Basta sentirmos o vento

Olhar com olhos de ver

Uma pitada de talento

Muitos versos vão nascer

 

Maria Letras, UK 21.03.2020

15
Mar20

ÉVORA CIDADE MINHA


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Torres erguidas aos céus
E em redor o infinito
Raio empunhado por Zeus
Abafado som dum grito
 
Tantos povos tanta gente
Aqui viveu seu destino
Foi passando lentamente
Como os pés do peregrino
 
Quem aqui chegou ao mundo
E a primeira vez falou
Sente um enfado profundo
Desde o dia em que abalou
 
Não se pode ser feliz
Longe de ti oh cidade
Tens a marcar-te o cariz
Os séculos que tens de idade.
 
Maria Letras, UK 15.03.2020
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