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POETA É O POVO

POESIA

POETA É O POVO

POESIA

22
Mar21

DAQUELA JANELA EM LONDRES


Maria Letras sopa-de-letras

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Daquela janela, em Londres, eu via a rua até ao fim.
À tardinha via o sol que se escondia no horizonte.
Era a hora a que acordava , a chorar, dentro de mim,
A angústia, dolorosa, e a saudade do meu monte.

Alentejo, terra querida, como doía a saudade,
De te ver, de te sentir, de cheirar campos lavrados.
Fechava os olhos via as torres, ao longe, na cidade.
E os meus sonhos de criança corriam desvairados.

Os mistérios desse mundo que eu queria adivinhar,
Revelaram-se, mais tarde, ondas perigosas, alto mar,
Nos caminhos, desta vida, que pisava com cautela.

Olhos fechados, da cadeira de baloiço, eu via desfilar,
Em nuvens de algodão doce, os sonhos por realizar,
Ao pôr-do-sol que eu via, em Londres, daquela janela.

Maria Letras, UK
22.03.2021

20
Mar21

NAQUELE TEMPO A PRIMAVERA


Maria Letras sopa-de-letras

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NAQUELE TEMPO A PRIMAVERA

Do outro lado da rua, havia um terreno baldio
Por entre as ervas daninhas, lá estavam elas
Apesar de ainda chover e se fazer sentir o frio
Explodiam flores brancas, roxas e amarelas

Saía da escola a correr, mas parava no portão
Extasiada, espalhava o olhar no colorido manto
Alegria a desabrochar no meu pequeno coração
Um sorriso luminoso disfarçava o meu espanto

A Senhora Dona Lurdes, dedicada professora
Com mestria domava a minha mente sonhadora
Educando e ensinando nesse tempo de quimera

E eu, feliz como um potro brincalhão e selvagem
A cada dia parava no portão, olhando essa miragem
Era o tempo em que voltava, colorida, a Primavera

Maria Letras, UK
20.03.2021

15
Mar21

CREPÚSCULO


Maria Letras sopa-de-letras

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É nessa hora que a alma se solta
Vai esvoaçando, pardal fugidio
Rudupia louca volta sobre volta
Livre correndo como a água do rio

A magia da luz do entardecer
Antevê a noite que há-de libertar
Do cansaço do dia que chega a doer
Que a vida está feita p'ra nos derrubar

Então a mente, pobre prisioneira
Pé ante pé escapa-se matreira
E vai ser feliz sem pensar em nada

Vinga-se de tudo o que a contraria
Enquanto longe ainda vem o dia
Nua abre os braços à madrugada

Maria Letras, UK
15.0.2021

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