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POETA É O POVO

POESIA

POETA É O POVO

POESIA

20
Fev21

SE AO FADO TUDO SE CANTA


Maria Letras sopa-de-letras

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Só quem não sente desejo
Não sabe dar o valor
E por isso fala mal
Pois se ele tem afinal
A candura duma flor
E desabrocha num beijo

Um beijo é sinal de amor
E une inconscientemente
As bocas dos namorados
Mas há por aí malvados
Que falam de toda a gente
E não sabem dar valor

Que culpa tem cada um
Que se incendeia ao beijar
Aguém por quem sente amor
Se sente tamanho ardor
É porque Deus lho quis dar
Não pode haver mal nenhum

Como é que seria o mundo
Só com gente sem paixão
Com gente sem ter desejo
Se é a ternura dum beijo
Que acelera o coração
E traz gente nova ao mundo

Se ao fado tudo se canta
Porque não hão-de os fadistas
Cantar-lhe amor e desejo
Eu nisso, mal não vejo
Mal vejo nos intriguistas
Cuja mente não é santa


Maria Letras,UK
20.02.2021

FOTO:

  • TítuloLos amantes
  • AutorRené Magritte
  • Cronología: 1928
  • EstiloSurrealismo
  • Técnica: óleo sobre lienzo
  • UbicaciónColección privada, Bruselas, Bélgica.
14
Fev21

AMAR-TE


Maria Letras sopa-de-letras

 

Amar-te é uma espécie de negócio que fiz com a vida
Eu amo-te, e ela traz-me de volta a alegria perdida
Quando as dores do passado vêm atormentar
Abraço-te, e as dores não demoram em debandar
Se os medos nocturnos me não deixam dormir
Aperto a tua mão, e é quanto basta para o medo sumir
Às vezes, o peito transborda de inquietação
Olho-te nos olhos, e logo se acalma o meu coração
Sei que nos negócios tem que haver honestidade
Por isso lhe pago, e quero que em troca ela te guarde.

Maria Letras, UK
14.02.2021

10
Fev21

AS PALAVRAS QUE ERAM MINHAS


Maria Letras sopa-de-letras


Atirei as palavras p'rá vala comum
Poderia muito bem soltá-las ao vento
Para que o vento no seu desalento
As fizesse voar p'ra lugar nenhum

Poderia escrevê-las secretamente
Num diário com chave e com cadeado
Arrumar o diário muito bem arrumado
E enterrar a chave num gesto demente

Poderia oferecê-las à primeira pessoa
Que passasse, só. pela minha janela
Como se elas fossem chama de vela
Dando luz ao caminho de quem anda à toa

Palavras de amor que fossem carícias
Num rosto marcado p'la desilusão
Levando aconchego a um coração
Ternura e carinho livres de malícias

Poderia guardá-las no fundo de mim
Qual velho avarento escondendo o dinheiro
Ou então espalhá-las pelo mundo inteiro
Em doses gigantes de alegria sem fim

Palavras que doem não gosto não quero
São pedras quebrando vidros de janela
São como a nortada que a alma nos gela
Sem haver fogueira que derreta o gelo

Mil e uma coisas poderia ter feito
Com as palavras que afinal eram minhas
Mas arranquei-as como a ervas daninhas
Estão melhor na vala do que no meu peito

As palavras nascem do pensamento
O pensamento nasce da realidade
Era bom que o vento levasse a saudade
Já que... palavras leva-as o vento

Maria Letras,UK
10.02.2021

02
Fev21

AMÁLIA DAS NOSSAS VIDAS


Maria Letras sopa-de-letras

Amália das nossas vidas
Choravas em alta voz
Por este mundo a cantar
Nossa empírica tristeza
Eras lágrimas sentidas
Brotando de todos nós
P'ra nossas almas lavar
Desta amarga natureza

O mundo surpreendido
Pasmava do teu cantar
Não podia compreender
As palavras que dizias
Mas captava o sentido
No teu triste soluçar
Sem saber que era o sofrer
Do país em que vivias

E rendiam-se a teus pés
Aplaudindo em apogeu
E tu tão simples mulher
Nossa humilde embaixatriz
Sempre foste e ainda és
A força que Deus nos deu
P'ra lutar e p'ra vencer
A desdita dum país

Amália das nossas vidas
Tu choraste amargamente
Como cada um de nós
Às vezes sem ter razão
Ai amarguras esculpidas
No peito da nossa gente
Quem sabe é da tua voz
Que virá a redenção

Maria Letras,UK
02.02.2021

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