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POETA É O POVO

POESIA

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30
Out16

DESEJOS CORREM NO RIO


Maria Letras sopa-de-letras

 

O Tejo leva nas águas

Os desejos de Lisboa

P’ra lá da “Boca da Barra”.

E a cidade chora mágoas

P’los olhos da Madragoa

Soluçadas à guitarra

Sobressaltam-se as colinas

Escurecem os terraços

Ao som dum plangente fado,

Cala-se a voz das varinas

Cessam no Terreiro os passos

Ardem sonhos no Chiado .

Mas Lisboa é como é, gosta do rio,

Colina de Santo André,

Graça e Rossio,

Relíquias de São Vicente,

missa na Sé,

Feira da Ladra ,I

ntendente, Cais do Sodré.

Voltam no voo das gaivotas

Os desejos de Lisboa,

Mudando o rumo à cidade,

Voltam os barcos às docas,

Uma varina apregoa:

_”Quem quer molhos de saudade ?!...

E eu gosto de a ver feliz

distraída dia-a-dia

no bulício da Ribeira,

Cingida ao Martim Moniz,

Entre a velha Mouraria

E a Praça da Figueira

Mas Lisboa é mesmo assim,

gosta de Alfama .

Namora em cada jardim,

Campo Santana

Sobe a costa do Castelo,

chão de Basalto

Laço branco no cabelo,

no Bairro Alto .

 

Junho, 1989

Joaquim Pires Isqueiro

 

 
30
Out16

DIAS AMORFOS


Maria Letras sopa-de-letras

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Quando os dias correm agitados

e se embrenham na floresta dos sentidos,

eles próprios se confundem

nos carreiros encontrados

e circulam em espiral,

nas brumas dos desejos exauridos .

E no vazio se perdem; feitos noite,

sem estrelas ,sem brilhos, sem luar,

despidos de lugares e horizontes,

da vida se despedem,

esquecidos de voltar.

E deixam os despojos das lembranças,

Empedernidos em esfinges de saudade,

Que a memória amorfa não alcança.

Cascais, 01 de Outubro de 2013

Joaquim Isqueiro

 

30
Out16

SONHO DE MENINO


Maria Letras sopa-de-letras

 

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Ai, quem me dera!

Que o sonho chegasse ao céu,

Abrisse uma Primavera,

Construísse uma quimera,

Unindo o teu peito ao meu.

Ai, quem me dera!

Que a Lua p’ra nós sorrisse,

E nos falasse sincera,

Que não defraudasse a espera,

E o nosso amor se cumprisse.

Ai, quem me dera!

Que ainda fosses menina,

Como então eu também era,

E ficasses à janela,

A veres-me espreitar à esquina.

Ai, quem me dera!

Voltar a ter a emoção,

Da vontade que tivera,

Na rua aonde nascera,

Deixar-te o meu coração.

 

Joaquim Isqueiro

 

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