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POETA É O POVO

POESIA

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07
Dez13

TRABALHO SOBRE FLORBELA ESPANCA


Maria Letras sopa-de-letras

Gentilmente cedido por  José Frota ,  a quem agradeco o trabalho e a autorizacao para publicar.


A ANTIGA ALUNA FLORBELA ESPANCA

PRIMEIRA PARTE

Há cerca de dois meses, o Adelino Santos desafiou-me a escrever alguma coisa sobre a nossa antiga colega Florbela Espanca, a mais célebre das AALNE e ainda hoje tida como a maior poetisa, não obstante Natália Correia, Sofia de Melo Breyner e Maria Teresa Horta . Acontece que outro alguém já se havia antecipado e demonstrando profundo conhecimento sobre a vida e obra da nossa ilustre colega as dissecara admiravelmente e com aplauso geral. De modo que meti a viola no saco e qual o outro sapateiro remendão fiz igualmente questão em não ir além da chinela.
Mas porque faz depois de amanhã, dia 8 de Dezembro, 119 anos que Florbela nasceu e 83 que decidiu por termo à vida, eu resolvi, como seu grande admirador, evocar a sua vida, em jeito de homenagem a prestar-lhe. Este escrito será seguido de mais dois que ajudarão a rememorar o passado desta mulher que foi seguramente uma figura de excepção da sociedade portuguesa do seu tempo, arrostando com um destino trágico, amargo e cruel que traduziu numa obra de altíssima qualidade literária dominada pela solidão, pela ansiedade, o desespero, a vida e a morte, o erotismo, a feminilidade e o panteísmo.

Florbela (baptizada como Flor Bela) nasceu em Vila Viçosa no ano de 1894. Sendo filha ilegítima de Antónia da Conceição Lobo e de José Maria Espanca, inicialmente sapateiro e depois sucessivamente antiquário, negociante de cabedais, desenhista, pintor e apresentador cinematográfico. José Maria era casado com Mariana do Carmo Toscano, mas a esposa era estéril. Por isso conseguiu convencê-la a que ele tomasse como amante Antónia da Conceição, uma jovem serviçal muito atraente que lhe pudesse assegurar descendência, desejo que este sempre acalentara.
Dessa ligação nunca interrompida nasceram Florbela e três anos mais tarde,seu irmão Apeles, pelo qual ela sempre nutriu um amor obsessivo. Os filhos nunca viveram com a mãe. José Maria e Mariana levaram-nos para sua casa tendo esta sido madrinha de baptismo de ambas as crianças que foram registadas como filhos de pai incógnito.
Florbela frequentou a escola primária da sua terra natal entre 1899 e 1908 até chegar ao actual 6º. ano de escolaridade. Data de 1903, apenas com 9 anos o seu primeiro poema "A Vida e a Morte" antecipando já uma extrema precocidade na abordagem de dois temas em torno dos quais girará o se percurso literário e a sua reflexão. Em 1907 é acometido pelos primeiros sinais de neurastenia. O ano de 1908 será um ano decisivo na sua vida.Para lá de concluir a escola primária vê desaparecer Antónia Lobo, sua mãe, com 29 anos, vítima de uma estranha forma de neurose. Muitos verão nesta ocorrência os sinais da marca hereditária que afectará toda a sua existência.

É ainda em 1908 que a família vem viver para Évora. Morta a mãe dos filhos, João Maria Espanca vem para a cidade a fim de poder proporcionar a ambos a continuação dos estudos. A menina matricula-se no Liceu de imediato, integrando o seu primeiro núcleo feminino que em 1910 era composto já por dez alunas. No ano seguinte começa a namorar Alberto de Jesus Silveira Moutinho, seu colega. Tinha então 17 anos. Rompe rapidamente com Alberto e apaixona-se por João Martins da Siva Marques que muitos décadas mais tarde virá a ser o Director Nacional da Torre do Tombo.
Paixão efémera esta. Poucos meses depois Florbela completa o Curso Geral dos Liceus e e reaproxima-se de Alberto Monteiro com quem Vem a consorciar-se civilmente em 1913 em Évora no dia do seu 19º. aniversário (há exactamente 100 anos) . O casal fixa residência em plena Serra d' Ossa, Redondo, onde funda um colégio no actual Convento de S.Paulo e no qual lecciona e dá explicações, mas sem grande sucesso.
Dificuldades financeiras fazem-nos regressar a Évora e à casa dos Espancas. Na cidade, Florbela, vai continuando a escrever os seus poemas e enceta colaboração nas revistas nacionais " Portugal Feminino", "Modas e Bordados" (suplemento feminino do diário matutino "O Século" e os periódicos locais " Notícias d'Évora " e "A Voz Pública" enquanto termina no Liceu de Évora, em 1917, o Curso Complementar de Letras, com 14 valores e se inscreve na Faculdade de Direito de Lisboa.
A vida melhora um pouco e o par regressa a Redondo mas por pouco tempo. A poetisa tinha sofrido um aborto involuntário que lhe deixara sequelas nos ovários e pulmões, aparentando sintomas de tuberculose e refugiara-se ali para tentar recuperar. Mas como as melhoras não chegassem, antes pelo contrário, o seu estado de debilitamento físico e psíquico era cada vez mais preocupante,Florbela é aconselhada a ir para a serra algarvia para descansar e tratar-se.
A ideia agrada ao marido que por ali tem o irmão e a cunhada que são professores na então Vila Nova de Portimão. (CONTINUA)

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