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POETA É O POVO

POESIA

POETA É O POVO

POESIA

30
Jul21

NO MEU MUNDO PEQUENINO


Maria Letras sopa-de-letras

No meu mundo pequenino
Sabendo que nada sou
Eu arrumo e desarrumo
Para voltar a arrumar
Há quem chegue de mansinho
Pensando talvez que eu dou
Á sua vida um novo rumo
Quem sabe, ao sol, um lugar

E eu que, de tudo, sei nada
Ando aqui para aprender
Se esta vida vale a pena
E se tem algo a ensinar
Mas ando meio baralhada
E não chego a perceber
Porque a vida me condena
Se mais não sei do que amar

Amo as rosas perfumadas
Antes de abrir o botão
E amo as folhas viçosas
Com gotas de água a brilhar
Amo o cheiro das madrugadas
Na minha terra no verão
E as tardes ociosas
Passadas a conversar

Amo o campo e a cidade
Cada qual com seu encanto
Amo as estrelas no céu
Amo as noites de luar
Da noite a leviandade
Com que ela estende o seu manto
Sem se importar que no breu
Não podemos ver o mar

Amo o som de água a correr
O chilrear da passarada
A fidelidade do cão
E o gato que é matreiro
Amo a vida sem saber
Se por ela sou amada
Amo-te a ti meu irmão
Com meu coração inteiro !

Maria Letras, UK
30.07.2021

 

11
Jul21

MEU PAÍS MEU GRANDE AMOR


Maria Letras sopa-de-letras

 

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Na quietude, mansa, desta manhã de domingo
Beija-me a brisa que me chega da janela
E eu aqui flutuando em pensamentos
Lugares amados que tão bem distingo
Vou de Alfama aconchegada na viela
Ao Guadiana que me inunda os sentimentos

Sinto do Tejo, que beija os pés a Lisboa
O mesmo aroma, a doçura e a dolência
Que , crente, esbanja aos pés do Cristo Rei
Que bem sabe caminhar, pela cidade, à toa
Absorver, em cada canto, a essência
Dos poetas, dos fadistas e da grei

Ah meu país, minha alma, meu sentir
Que tão maltratas os filhos que te amam
Pétalas murchas vagueando pelo chão
Quem dera madrugasse outro porvir
E transformasse as dores que se derramam
Em sorrisos alegres a brotar do coração

Maria Letras, UK
11.07.2021

31
Mai21

O PENSAR NÃO TEM IDADE


Maria Letras sopa-de-letras

 

Meu pensamento vadio
Ninguém pode aprisionar
É tão livre quanto o vento
Corre lesto como um rio
Abraça as ondas do mar
Em perpétuo movimento

Corre por vales e montes
Flutua em qualquer lado
Como qualquer beija-flor
Refresca-se nessas fontes
Donde brota o velho fado
Em todo o seu esplendor

Vamos meu pensamento
Nas asas da fantasia
Viagemos ao passado
Não caias em desalento
O que já fomos um dia
Ficou no tempo gravado

És ligeiro sempre veloz
Mas olha que eu a cantar
Apesar de ter saudades
Já não tenho a mesma voz
Nem te posso acompanhar
Nas tuas leviandades

Maria Letras, UK
18.05.2021

 

18
Mai21

O ARDINA DE BENFICA


Maria Letras sopa-de-letras

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Diariamente esperado
Pela manhã bem cedinho
No bairro da minha infância
O jornal era atirado
Com arte bem dobradinho
A dois andares de distância

Caía na minha janela
Entre os vasos das flores
E logo era recolhido
Porque eu de sentinela
Era dos seus seguidores
Talvez o mais atraído

Era alegre e galhofeiro
Assobiava e sorria
Fazia-se anunciar
O seu tiro era certeiro
Não falhava a pontaria
Era mestre a atirar

E lá ia assobiando
Jogando a cada janela
O jornal com genica
E eu ficava ali pensando
Que ele tornava mais bela
A Estrada de Benfica

Maria Letras, UK
16.05.2021

 

 

 

13
Mai21

LEMBRAS-TE MANO ?


Maria Letras sopa-de-letras

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Ainda te lembras mano como foi
Quando partiu a minha filha amada?
Essa perda que hoje ainda me dói
Mesmo sendo p'la saudade sufocada

E quando foram nosso pai e nossa mãe?
Todos nós tão chorosos, tão perdidos
Toda a família ficou orfã também
É orfão quem perde entes queridos

E depois quando foi meu companheiro?
Teu também das amenas cavaqueiras
Tu foste o meu apoio, foste o conselheiro

E agora mano quem vai compreender
Este vazio, as saudades sobranceiras
Por estar há dois anos sem te ver ?!

Maria Letras,UK
13.05.2021

06
Mai21

ANTÓNIO PINTO BASTO, PARABÉNS !


Maria Letras sopa-de-letras

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Que significa uma vida
Perante a eternidade
É gota de água caída
No mar que não tem idade

E por ser assim pequena
Deve ser aproveitada
Só deve trazer-se à cena
Felicidade e mais nada

Nascer na tua cidade
Nem todos têm a sorte
É ter na alma intensidade
Desde o berço até à morte

Mais um ano menos um ano
Bem pouca diferença faz
Se há num corpo veterano
Um coração de rapaz

Ser fadista é ter na vida
Uma razão p'ra seguir
Segue de cabeça erguida
Que o melhor está para vir

Maria Letras, UK
06.05.2021

02
Mai21

MINHA MÃE


Maria Letras sopa-de-letras

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Deste-me a vida sem a minha permissão
Eu surgi sem te perguntar se me querias
Por essa dádiva passaste mil tormentas
Os teus vinte e três anos plenos de ilusão
Criavam um futuro de sonho que esculpias
Com tuas mãos que de amor eram sedentas

Foi assim o nosso encontro neste mundo
Fundidas nessa força que faz sobreviver
Lutando dia a dia contra a hostilidade
E hoje esta tristeza em que me afundo
Leva-me de volta ao momento de nascer
Mil perguntas na incerteza que me invade

Minha mãe que com carinho me levaste
Pela vida como se fosse o teu troféu
E me deste quase tudo quanto te faltou
Teus velhos sonhos em mim depositaste
Por mim ergueste as tuas mãos ao céu
E por ti, o céu, tantas vezes te escutou

Maria Letras, UK
02.05.2021

25
Abr21

TRISTEZA DE DOMINGO À TARDE


Maria Letras sopa-de-letras

 

Que triste a luz brilhante desta tarde de domingo
Que angústia a infiltrar-se pelas frestas da janela
O silêncio da cidade que parece estar dormindo
Desmaiando o meu sentir como tinta de aguarela

Nem o livro, nem o filme, nem a música me anima
Vem de longe a tristeza que me invade o coração
O amor desencontrado é como verso que não rima
Pode até ser verdadeiro mas não mata a solidão

Que mais motivo há para a vida se não for a ilusão
As histórias, os poemas, os amores e as canções
Se a estrada do nascer nos conduz sem compaixão
À tristeza de morrer após as muitas decepções

Apenas um domingo mais como tantos já vividos
Quem sabe quantos mais me restarão para viver
Melhor será adocicar e relaxar os meus sentidos
E deixar que a alegria tome conta do meu ser


Maria Letras, UK
25.04.2021

08
Abr21

SONHOS DE CRIANÇA


Maria Letras sopa-de-letras

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Tão longe estão os tempos de criança
Povoados de doces quimeras e ilusão
Meu peito a transbordar de esperança
Vontade d'outros mundos d'outro chão

Colonialismo era apenas uma palavra
Não cabia na minha alegre fantasia
Cultivava sonhos como quem lavra
A terra que dará o pão de cada dia

Talvez Angola, Moçambique ou o Brasil
Lugares onde o meu devaneio infantil
Inventava outras crianças como eu

Sabia os nomes por ouvi-los tanta vez
E se era lá que se falava português
Onde mais poderia pairar o sonho meu ?

Maria Letras, UK
08.04.2021

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