Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

POETA É O POVO

POESIA

POETA É O POVO

POESIA

08
Abr21

SONHOS DE CRIANÇA


Maria Letras sopa-de-letras

aviador-piloto-da-criança-com-sonhos-do-avião-da-viagem-no-verão-89214986.jpg

 

Tão longe estão os tempos de criança
Povoados de doces quimeras e ilusão
Meu peito a transbordar de esperança
Vontade d'outros mundos d'outro chão

Colonialismo era apenas uma palavra
Não cabia na minha alegre fantasia
Cultivava sonhos como quem lavra
A terra que dará o pão de cada dia

Talvez Angola, Moçambique ou o Brasil
Lugares onde o meu devaneio infantil
Inventava outras crianças como eu

Sabia os nomes por ouvi-los tanta vez
E se era lá que se falava português
Onde mais poderia pairar o sonho meu ?

Maria Letras, UK
08.04.2021

08
Abr21

GÊNESIS 3:19 POEMATIZADO


Maria Letras sopa-de-letras

 

 

letra copy.jpg

 

*Com o suor do teu rosto comerás o teu pão*
Para que não te falte, trabalha honestamente

Não esperes de outrém o que é tua obrigação
Tens em tuas mãos a vida, teu maior presente

*Até que voltes ao solo*o que não demorará
*Pois da terra foste formado* por mão divina
*Porque tu és pó e ao pó da terra retornará*
Todo aquele que vive e que à terra se destina

Há povos famintos pela vida a caminhar
Sem ter nada, sem um tecto para se abrigar
Pés descalços, comendo o pó da estrada

E a Terra, mãe de todos, sofre amargamente
Vai chorando, desolada, a tragédia dessa gente
E o pranto cai do céu em forma de enxurrada

Maria Letras, UK
21.03.2021



04
Abr21

FERIADOS E DIAS SANTOS


Maria Letras sopa-de-letras

A saudade é minha amiga
Voltando em cada feriado
E em contramão pela vida
Regressamos ao passado

Dias felizes de outrora
De alegria e confusão
Tão diferentes dos de agora
Desta amarga solidão

Quer na Páscoa ou no Natal
Ou qualquer outro feriado
A farta mesa, habitual
E o coração saciado

Toda a família lá vinha
Alguns amigos também
Entre a sala e a cozinha
Era um constante vaivém

Desde que eu era pequena
Que se cumpre a tradição
Dos pais aprendi a cena
Passei depois à acção

Mas nesta era malvada
De vírus e proibição
Está a saudade parada
Dentro do meu coração.

Maria Letras, UK

04.04.2021

cozido.jpg

 



22
Mar21

DAQUELA JANELA EM LONDRES


Maria Letras sopa-de-letras

20200607_205900.jpg

 

Daquela janela, em Londres, eu via a rua até ao fim.
À tardinha via o sol que se escondia no horizonte.
Era a hora a que acordava , a chorar, dentro de mim,
A angústia, dolorosa, e a saudade do meu monte.

Alentejo, terra querida, como doía a saudade,
De te ver, de te sentir, de cheirar campos lavrados.
Fechava os olhos via as torres, ao longe, na cidade.
E os meus sonhos de criança corriam desvairados.

Os mistérios desse mundo que eu queria adivinhar,
Revelaram-se, mais tarde, ondas perigosas, alto mar,
Nos caminhos, desta vida, que pisava com cautela.

Olhos fechados, da cadeira de baloiço, eu via desfilar,
Em nuvens de algodão doce, os sonhos por realizar,
Ao pôr-do-sol que eu via, em Londres, daquela janela.

Maria Letras, UK
22.03.2021

20
Mar21

NAQUELE TEMPO A PRIMAVERA


Maria Letras sopa-de-letras

_108909637_gettyimages-1089974972.jpg

NAQUELE TEMPO A PRIMAVERA

Do outro lado da rua, havia um terreno baldio
Por entre as ervas daninhas, lá estavam elas
Apesar de ainda chover e se fazer sentir o frio
Explodiam flores brancas, roxas e amarelas

Saía da escola a correr, mas parava no portão
Extasiada, espalhava o olhar no colorido manto
Alegria a desabrochar no meu pequeno coração
Um sorriso luminoso disfarçava o meu espanto

A Senhora Dona Lurdes, dedicada professora
Com mestria domava a minha mente sonhadora
Educando e ensinando nesse tempo de quimera

E eu, feliz como um potro brincalhão e selvagem
A cada dia parava no portão, olhando essa miragem
Era o tempo em que voltava, colorida, a Primavera

Maria Letras, UK
20.03.2021

15
Mar21

CREPÚSCULO


Maria Letras sopa-de-letras

16672889616_d8f816149b_b.jpg

 

É nessa hora que a alma se solta
Vai esvoaçando, pardal fugidio
Rudupia louca volta sobre volta
Livre correndo como a água do rio

A magia da luz do entardecer
Antevê a noite que há-de libertar
Do cansaço do dia que chega a doer
Que a vida está feita p'ra nos derrubar

Então a mente, pobre prisioneira
Pé ante pé escapa-se matreira
E vai ser feliz sem pensar em nada

Vinga-se de tudo o que a contraria
Enquanto longe ainda vem o dia
Nua abre os braços à madrugada

Maria Letras, UK
15.0.2021

20
Fev21

SE AO FADO TUDO SE CANTA


Maria Letras sopa-de-letras

3 video h copy.jpg

Só quem não sente desejo
Não sabe dar o valor
E por isso fala mal
Pois se ele tem afinal
A candura duma flor
E desabrocha num beijo

Um beijo é sinal de amor
E une inconscientemente
As bocas dos namorados
Mas há por aí malvados
Que falam de toda a gente
E não sabem dar valor

Que culpa tem cada um
Que se incendeia ao beijar
Aguém por quem sente amor
Se sente tamanho ardor
É porque Deus lho quis dar
Não pode haver mal nenhum

Como é que seria o mundo
Só com gente sem paixão
Com gente sem ter desejo
Se é a ternura dum beijo
Que acelera o coração
E traz gente nova ao mundo

Se ao fado tudo se canta
Porque não hão-de os fadistas
Cantar-lhe amor e desejo
Eu nisso, mal não vejo
Mal vejo nos intriguistas
Cuja mente não é santa


Maria Letras,UK
20.02.2021

FOTO:

  • TítuloLos amantes
  • AutorRené Magritte
  • Cronología: 1928
  • EstiloSurrealismo
  • Técnica: óleo sobre lienzo
  • UbicaciónColección privada, Bruselas, Bélgica.
14
Fev21

AMAR-TE


Maria Letras sopa-de-letras

 

Amar-te é uma espécie de negócio que fiz com a vida
Eu amo-te, e ela traz-me de volta a alegria perdida
Quando as dores do passado vêm atormentar
Abraço-te, e as dores não demoram em debandar
Se os medos nocturnos me não deixam dormir
Aperto a tua mão, e é quanto basta para o medo sumir
Às vezes, o peito transborda de inquietação
Olho-te nos olhos, e logo se acalma o meu coração
Sei que nos negócios tem que haver honestidade
Por isso lhe pago, e quero que em troca ela te guarde.

Maria Letras, UK
14.02.2021

10
Fev21

AS PALAVRAS QUE ERAM MINHAS


Maria Letras sopa-de-letras


Atirei as palavras p'rá vala comum
Poderia muito bem soltá-las ao vento
Para que o vento no seu desalento
As fizesse voar p'ra lugar nenhum

Poderia escrevê-las secretamente
Num diário com chave e com cadeado
Arrumar o diário muito bem arrumado
E enterrar a chave num gesto demente

Poderia oferecê-las à primeira pessoa
Que passasse, só. pela minha janela
Como se elas fossem chama de vela
Dando luz ao caminho de quem anda à toa

Palavras de amor que fossem carícias
Num rosto marcado p'la desilusão
Levando aconchego a um coração
Ternura e carinho livres de malícias

Poderia guardá-las no fundo de mim
Qual velho avarento escondendo o dinheiro
Ou então espalhá-las pelo mundo inteiro
Em doses gigantes de alegria sem fim

Palavras que doem não gosto não quero
São pedras quebrando vidros de janela
São como a nortada que a alma nos gela
Sem haver fogueira que derreta o gelo

Mil e uma coisas poderia ter feito
Com as palavras que afinal eram minhas
Mas arranquei-as como a ervas daninhas
Estão melhor na vala do que no meu peito

As palavras nascem do pensamento
O pensamento nasce da realidade
Era bom que o vento levasse a saudade
Já que... palavras leva-as o vento

Maria Letras,UK
10.02.2021

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Em destaque no SAPO Blogs
pub