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POETA É O POVO

POESIA

POETA É O POVO

POESIA

19
Set18

Cântico Negro


sopa-de-letras

 

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"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio, in 'Poemas de Deus e do Diabo'
 
 
A meu ver, a liberdade é o bem mais precioso do ser humano.
Talvez até mais valioso do que a saude. De que te serve seres saudável, se vives amarrado dentro de ti próprio?! A falta de liberdade é , ela própria, uma espécie de doença.
A liberdade a que me refiro, não é aquela que foi retirada a quem foi condenado pelos tribunais.
A liberdade a que me refiro, é aquela que faz parte de nós; aquela que nasceu connosco e que nos acompanha até á morte, sejam quais forem as circunstancias.
A liberdade a que me refiro, é esta que o José Régio nos mostra ao escrever este poema, ele que tendo morrido em 1969 não chegou a conhecer a revolução de Abril, nem a liberdade que dela adveio.
Ser livre é um bem maior !
Infelizmente, um bem que nem todos conhecem.
 
Maria Letras, 19.09.2018
 

 

 
 
 
18
Set18

Só O AMOR VALE A PENA


sopa-de-letras

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Nesta vida nada sou

Tudo por aqui é vão

A estrada por onde vou

Nao passa duma ilusão

 

O que valho não é nada

No mundo não há valor

Mas vejo gente enganada

Pensando que é a maior

 

Enchem de vaidade o peito

Bebem litros de razão

Sem verem que desse jeito

Estão perdendo a direcção

 

Só o amor vale a pena

Amar nunca é em vão

Para a vida ser plena

Há-de ter muita emoção

25
Ago18

AS RUAS DA NOSSA TERRA


sopa-de-letras

Mais uma maravilha do amigo Joaquim Pires Isqueiro

 

“AS RUAS DA NOSSA TERRA”

As ruas da nossa terra
Palmilhadas na lembrança,
Com passos de sentimento;
Aonde o desejo é quimera,
Que nos emoldura a esperança,
E nos abafa o lamento…

Por elas passamos leves,
Alheios ao eco dos passos,
De preconceitos despidos;
De nós próprios almocreves,
Pelo querer conduzidos,
Alijamos os cansaços.

Nelas revemos imagens,
Com nitidez reveladas,
Na “câmara” dos sentidos;
No vai -e -vem das viagens,
Afagamos as calçadas,
Com anseios desmedidos.

E delas nos encantamos,
Como viventes da lenda,
Que cada pedra nos canta;
Com orgulho transportamos,
Um Brasão, uma Comenda,
Um valor que nos levanta.

Joaquim Isqueiro
20 de Janeiro 2013

23
Ago18

...


sopa-de-letras

Era já noite cerrada
Dizia o filho pra mãe
O Jorge tem a Maria
Mas que sorte que ele tem
Maria que era vaidosa
Mas lhe tinha um grande amor
Diz...Este miudo é uma prosa
E um verdadeiro estupor
Tanta coisa que se passa
Nesta vida tão danada
Às vezes até sem graça
Mas outras...aproveitada
O nome dela é Maria
E Jorge é como eu me chamo
Quero-lhe tanto quem diria
Ninguém sabe como eu a amo
❤ ❤
JM to Maria

10
Abr18

...


sopa-de-letras

Bom dia princesa
Eco da minha paixão
Semente de realeza
Rainha do meu coração... ❤ ❤

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