POETA É O POVO
POESIA
29
Jan 14

O mostrengo que está no fim do mar

Na noite de breu ergueu-se a voar;

A roda da nau voou três vezes,

Voou três vezes a chiar,

E disse: «Quem é que ousou entrar

Nas minhas cavernas que não desvendo,

Meus tectos negros do fim do mundo?»

E o homem do leme disse, tremendo:

«El-Rei D. João Segundo!»

 

«De quem são as velas onde me roço?

De quem as quilhas que vejo e ouço?»

Disse o mostrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso.

«Quem vem poder o que só eu posso,

Que moro onde nunca ninguém me visse

E escorro os medos do mar sem fundo?»

E o homem do leme tremeu, e disse:

«El-Rei D. João Segundo!»

 

Três vezes do leme as mãos ergueu,

Três vezes ao leme as reprendeu,

E disse no fim de tremer três vezes:

«Aqui ao leme sou mais do que eu:

Sou um povo que quer o mar que é teu;

E mais que o mostrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo,

Manda a vontade, que me ata ao leme,

De El-Rei D. João Segundo!»

 

Fernando Pessoa, Mensagem, 1934

 

 

 

 

 

Quarta-feira, 20 de Junho de 2012
O MOSTRENGO

 

publicado por sopa-de-letras às 21:41
29
Jan 14

Domingo, 8 de Julho de 2012
NAVEGA, DESCOBRE TESOUROS
Fernando Pessoa
Navega, descobre tesouros, mas não os tires do fundo do mar, o lugar deles é lá. Admira a Lua, sonha com ela, Mas não queiras trazê-la para Terra. Goza a luz do Sol, deixa-te acariciar por ele. O calor é para todos. ... Sonha com as estrelas, apenas sonha, elas só podem brilhar no céu. Não tentes deter o vento, ele precisa correr por toda a parte, tem pressa de chegar sabe-se lá onde. Goza a luz do Sol, deixa-te acariciar por ele. O calor é para todos. As lágrimas? Não as seques, elas precisam correr na minha, na tua, em todas as faces. O sorriso! Esse deves segurar, não o deixes ir embora, agarra-o! Quem amas? Guarda dentro de um porta jóias, tranca, perde a chave! Quem amas é a maior jóia que possuis, a mais valiosa. Não importa se a estação do ano muda, se o século vira conserva a vontade de viver, não se chega a parte alguma sem ela. Abre todas as janelas que encontrares e as portas também. Persegue o sonho, mas não o deixes viver sozinho. Alimenta a tua alma com amor, cura as tuas feridas com carinho. Descobre-te todos os dias, deixa-te levar pelas tuas vontades, mas não enlouqueças por elas. Procura! Procura sempre o fim de uma história, seja ela qual for. Dá um sorriso aqueles que esqueceram como se faz isso. Olha para o lado, há alguém que precisa de ti. Abastece o teu coração de fé, não a percas nunca. Mergulha de cabeça nos teus desejos e satisfaz-los. Agoniza de dor por um amigo, só sairás dessa agonia se conseguires tirá-lo também. Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura. Arrepende-te, volta atrás, pede perdão! Enche o teu coração de esperança, mas não deixes que ele se afogue nela. Não te acostumes com o que não te faz feliz, revolta-te quando julgares necessário. Se achares que precisas de voltar atrás, volta! Se perceberes que precisas seguir, segue! Se estiver tudo errado, começa novamente. Se estiver tudo certo, continua. Se sentires saudades, mata-as. Se perderes um amor, não te percas! Se o achares, segura-o! Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. “O mais é nada".
publicado por sopa-de-letras às 21:24
04
Jan 14

SEGUNDA-FEIRA, 14 DE NOVEMBRO DE 2011

IRONIAS

 

 

 

 

 

Portuguesa (eu) toma conhecimento de poema de Alvaro Campos (Fernando Pessoa), em Inglaterra, atraves de poeta americano.

 

Passo a desenvolver...

Na passada quinta feira a minha filha, que estuda na universidade de Kingston, assistiu a uma palestra do poeta norte americano David Lehman.

Quando chegou a casa, perguntei-lhe de que tinha constado a palestra.

Fiquei muito surpreendida com a resposta dela:

- Mae nao vais acreditar, ele falou do Fernando Pessoa.

Bom...ja me habituei a que, quando nesta terra se fala do meu Portugal, o motivo quase nunca `e bom.

Surpreendeu-me, agradavelmente, que um reputado poeta americano,viesse a Inglaterra, falar aos alunos de uma universidade, sobre um poeta portugues.

Eu que sempre tive a mania das leituras, dos livros, da poesia, cheguei a conclusao que sou uma "analfabeta". Nunca ouvira sequer falar do poema que esteve em debate, de seu nome "Saudacao a Walt Withman".

Aqui deixo  algumas pistas que levam ao poema e ao David Lehman.

 

http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/s/saudacao_a_walt_withman_poema

 

http://en.wikipedia.org/wiki/David_Lehman

publicado por sopa-de-letras às 09:40
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