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POETA É O POVO

POESIA

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03
Jan14

TRABALHO SOBRE FLORBELA ESPANCA


sopa-de-letras

 

fotos de Maria Letras

 

 
TERCEIRA E ULTIMA PARTE DO TRABALHO ELABORADO PELO AMIGO JOSE FROTA E PUBLICADO NA PAGINA DOS ANTIGOS ALUNOS DO LICEU NACIONAL DE EVORA, ONDE  FLORBELA ESPANCA TAMBEM ESTUDOU.
 
José Frota
O BUSTO DE FLORBELA ESPANCA
                                         O FIM DE UMA SAGA

O clima de fera hostilidade reinante na imprensa católica, em relação a tudo quanto respeitasse à poetisa calipolense, deu sinais de ligeiro abrandamento a partir de 1942, ano em que José Fernando de Sousa, o Nemo, morreu. O novo director de "A Voz"  não era tão afeiçoado à causa da estigmatização de Florbela e vai deixando de a alimentar de forma tão sistemática e frequente. O mesmo não sucedia em Évora onde os padres fascistas (como Vergílio Ferreira lhes  haveria de chamar) continuavam a desancar Florbela  e a armar-se nos guardiões e paladinos da moral citadina. Os mais conhecidos eram o dito pimpão Alegria, agora professor de Canto no Seminário e polícia das ideias alheias e o cónego Francisco Maria da Silva. vigário da Arquidiocese e que mais ascenderia a Arcebispo Primaz de Braga. Ambos eram professores de Religião e Moral dos cursos nocturnos mistos, destinados a adultos e trabalhadores, da Escola Comercial e Industrial Gabriel Pereira. Julgando-se intocáveis, eram detestados por todos os  alunos que tinham de os suportar, dado que nesse tempo, a disciplina era obrigatória e sujeita a avaliação trimestral e anual como qualquer outra. Achavam-se por isso as autoridades máximas da Escola. Em determinado dia de finais do ano lectivo de 1945-46 decidiram entrar desabridamente pelo gabinete do director da Escola para lhe pedirem explicações sobre um baile de finalistas que se havia realizado sem o seu conhecimento e autorização  (tal e qual), no qual haviam participado professores e professoras, alunos e alunos e que, segundo eles, tinha decorrido em ambiente de grande promiscuidade. E o que disseram em altos gritos lançados em tom injurioso  que se ouviram no exterior, faltando ao respeito do seu superior hierárquico, repetiram-no em toda a cidade. A reacção dos visados foi imediata. O Director participou o caso ao Ministério, acompanhado de testemunhos de professores, alunos e empregados. O ministro Fernando Pires de Lima abriu um inquérito rigoroso no decurso do qual se apurou que  «ambos haviam exercido na Escola uma acção perturbadora e deseducativa», pela qual os contratos não lhes seriam renovados, expulsando-os assim do quadro de docentes. As conclusões do inquérito foram tornadas públicas no jornal "Correio do Alentejo" sob a forma de esclarecimento do Ministério da Educação Nacional, dado que o periódico, afecto ao regime, havia censurado as sanções aplicadas aos dois eclesiásticos, naquilo que apelidara em número anterior de «Expulsão de Jesuítas» procurando inocentá-los. Poderá perguntar-se qual a relevância deste episódio no caso da perseguição a Florbela? É que Alegria, desacreditado na cidade, viu-se obrigado a deixá-la por uns anos. Foi a isso compelido pela hierarquia católica que o mandou estuda para o Instituto Superior de Música Sacra em  Roma, pelo que deixou de  orquestrar a campanha contra Florbela Espanca.
Entretanto o final da guerra, a derrota nazi-fascista, a necessidade de transmitir para o exterior uma imagem de democracia e a realização de eleições legislativas  permitiram um aligeiramento da censura, nomeadamente a de índole intelectual. O poeta Jorge  de Sena pôde por isso, em 1946, numa conferência realizada no Clube Fenianos no Porto, trazer à tona a obra de Florbela, para falar do seu "donjuanismo" feminino referindo que os seus poemas eram de uma  fúria inaudita, exemplo da violência que a escritora exercia sobre si própria» Na esteira de Sena e citando-o abundantemente, José Régio, poeta católico que vivia em Portalegre, escreverá que «a obra de Florbela é a expressão poética de um caso humano. Decerto para infelicidade da sua vida terrena, mas para glória do seu nome e glória da poesia portuguesa, Florbela viveu a fundo esses estados, quer de depressão, quer de exaltação, quer de concentração em si mesma, quer de dispersão  em tudo, que na sua poesia atingem tão vibrante expressão. (...) Nenhuma poetisa  porém, viveu até hoje, viveu tão a sério um caso excepcional, e ao mesmo tempo, tão significativamente humano» (...) Nenhuma com tanto talento vocabular e métrico, talhou um soneto como quem talha um vestido ».
Com o ambiente a mostrar tendências ao desanuviamento, a escritora e antiga discípula de Florbela, Aurélia Borges, que no ano anterior publicara um trabalho sofre a poetisa e a sua obra (Lisboa,Edições Expansão), pediu por escrito a 28 de Janeiro de 1947, a  António Bartolomeu Gromicho que enquanto presidente do Grupo Pró-Évora, tomasse posição sobre a instalação do busto. Gromicho responde-lhe que o Grupo continuava atento à situação e já voltara a mexer no assunto mas que deparou com uma «inesperada e violenta reacção dos vereadores municipais». Também o Ministro da Educação se mostrara amável e elogioso quanto ao valor da poetisa mas terminara por lhe dizes que a sepultura "estava ainda muito quente" e portanto não consentia a homenagem nem Évora nem qualquer outro ponto do território português». Mas a luta entre "florbelianos" e seus inimigos estava bem equilibrada e mesmo os intelectuais favoráveis ao regime eram de opinião de que se devia conceder autorização para a instalação do busto. Vitorino Nemésio avisa mesmo que «a rapidez com que a lenda já se apropriou de Florbela mostra bem como estamos em presença-creio que pela primeira vez na literatura portuguesa- de uma poetisa musa. Mais do que isso; de uma deidade ou de um duende, um ser mitológico de que já alguns poetas autênticos (Manuel da Fonseca, por exemplo, já se apoderaram para fazer dela a alma da planície alentejana, "genious loci" errante entre o piorno e as estevas». Salazar percebe o perigo e preconiza uma solução airosa, tanto mais que estão à  porta as eleições para a Presidência da República, a disputar entre Carmona e Norton de Matos.  É assim que se negoceia entre a Câmara de Évora, o Governo Civil e o Grupo Pró-Évora (a Igreja é excluída do processo) a implantação do busto que deve decorrer de forma o mais discreta  possível, não oficial, e com escasso número de convidados. No dia  17 de Junho de 1949 o busto de Florbela é finalmente colocado no se pedestal. Ao acto apenas assistem representantes do Grupo Pró-Évora e elementos da Câmara e do Governo Civil.
Julgava-se que o caso estava encerrado, com o menor ruído possível a a contento das partes. Não seria assim. O Cónego José Augusto Alegria depois de jornadear pelo estrangeiro, regressa a Évora em 1951 e vem de novo disposto a provocar escândalo.  O seu espaço natural de escrita é o "Novidades" para onde envia novo escrito onde reconhece, com indignação que em oposição a esse desiderato «escrevera em vão mais de doze artigos, oito dos quais na página literária deste jornal, coordenado e superiormente dirigido por Monsenhor Moreira das Neves». Restava-lhe «a consolação de saber que nenhum eborense contribuíra para erguer o busto da poetisa. Foram autores do atentado forasteiros com títulos mais ou menos  honorários». Uma redonda falsidade. Mas Alegria não se deu por satisfeito. Em 1955 fazia sair em edição da Fundação D. Manuel da Conceição Santos um livro com o título " A poetisa Florbela Espanca- o processo de uma causa" no qual insultava, de uma forma reles e ordinária a mulher falecida de forma trágica havia já um quarto de século. Nele afirmava que "Florbela até era sincera mas era uma sinceridade de bordel» E mais adiante: Poetisa do Alentejo ? Antes Maria das Quimeras no mínimo que se pode dizer(...) Não foi o Alentejo com as suas sombras, as suas distâncias ou a profundidade dos seus silêncios que mereceu os afectos da poetisa. Foi uma quimérica ansiedade que lhe fez sorver em haustos de profunda ansiedade a vida, levada a cantar e a gritar em tantos versos que são uma autêntica prostituição de todos os sentimentos femininos».
O comportamento da Igreja neste caso foi vergonhoso. O do Padre Alegria dispensa comentários. Diz-se que este se penitenciou de tudo isto já depois de 1974. Desconheço em absoluto esse acto de contrição público.
                                                   ****************************************
A MINHA APRECIACAO :
Quero agradecer ao Jose Frota este trabalho espectacular, e a sua permissao para que o publicasse neste meu espaco.
Ajuda a conhecer melhor a poeta imortal, e o " ar "que se respirava em Portugal, na sua epoca,. e ate depois dela.
Devo dizer que frequentei o Liceu entre 1964 e 1969, ano em que fui viver para Lisboa; fui aluna do padre Alegria, em religiao e moral, e tudo isto me passou completamente ao lado.
Gostava ate mais do padre Alegria do que do padre Manso, apenas porque este ultimo era mais serio, menos brincalhao.
Sai de Evora com quinze anos, nao tendo acompanhado, minimamente, as estorias da cidade.
Talvez por isso, me entusiasme tanto quando alguem as descreve. Especialmente se se passaram na minha epoca.
Um grande OBRIGADA JOSE FROTA.
PS
Quem estiver interessado em ver este trabalho por completo, basta nas TAGS, do lado direito desta pagina, clicar em " FLORBELA ESPANCA ", e encontrara as quatro participacoes seguidas.
03
Jan14

A MAGRICELA


sopa-de-letras

 

 

 

 

 

 

 

Tanta coisa que ela fez

Para ver o desejado

Era a primeira vez

Tudo bem planeado

 

Queria caçar a presa

Nao poderia escapar

E se houvesse  defesa

Ela havia de a furar

 

Aperaltou-se á  altura

E ate quase conseguiu

Mostrar tal formosura

Que ele corou quando a viu

 

Mas quando ela sorriu

Por obra do demo, talvez

A dentadura caiu

Estatelou-se a seus pes

 

Um tanto ou quanto atarantada

Baixou-se p'rá apanhar

Foi quando a saia apertada

Estoirou sem ela esperar

 

Tentou falar, mas grunhiu

Olhou-o sem pestanejar

Nisto ouviu-se o assobio

Da ventania a passar

 

Eis que a peruca lhe voa

E tao linda que ela estava !

Tinha-a pintado em Lisboa

La na rua onde morava

 

Só resta dizer adeus,

Pensava, com olhar ausente

Já agora, queira Deus

Que o silicone aguente

 

Frente a esta confusao

Ele teve pena dela

Sorrindo estendeu a mao

E afagou a magricela

 

03
Jan14

AMOR NA INTERNET


sopa-de-letras

 

 

QUANDO ME FAZES UM LIKE

MEU DISCO RIGIDO SORRI

DESATO A ABRIR JANELAS

ABRO-AS TODAS PARA TI

 

SE ME TOCAS NO TECLADO

JA NEM SEI O QUE FAZER

INICIO UM DOWNLOAD

DOS MOMENTOS DE PRAZER

 

`A MEMORIA VOU BUSCAR

UM VIDEO DO NOSSO AMOR

FAÇO CORRER AS IMAGENS

NO MEU CEREBRO, SEM PUDOR

 

SE, POREM, SOLTAS UM VIRUS

LA   TEMOS A BURRA NAS COUVES

ENTAO LEVAS COM OS SPAM

E MAIS AQUILO QUE NEM OUVES

 

QUANDO A COISA JA ESTA PRETA

FAZ-SE O RESTAURO DO SISTEMA

REEINICIA-SE A MAQUINA

NAO HA NADA QUE SE TEMA

 

TU INTRODUZES A PEN

OS PHONES  VOU COLOCANDO

COM TEU RATO EM MEU ECRA

JA ESTAMOS, DE NOVO, AMANDO

 

TU GOSTAS DE PARTILHAR

EU, DE FAZER BUSCA EM TI

SE A COISA BLOQUEAR

`E FORRO QUE NUNCA VI !

 

VOU AO PAINEL DE CONTROL

FAÇO UM BACK UP, POIS ENTAO

PORQUE QUANDO A GENTE AMA

NAO VAI DESISTIR...ISSO NAO !

 

COMO NOSSO AMOR NAO HA

GRANDE AMOR DA INTERNET

SENDO A MARE BOA OU MÁ

ORA METE, ORA NAO METE

03
Jan14

DON JUAN


sopa-de-letras

 

 

Meu Deus como  doi a alma

Se pode a alma doer

Nesta disfarcada calma

Nesta revolta do ser

 

Mas porque te amo eu assim?

Porque me dou sem pensar

Que jamais seras pra mim

O que eu mereco alcancar ?

 

Tu sem do nem piedade

Ages como um qualquer

Nao respeitas, na verdade

Esta ou aquela mulher

 

Todas pra ti sao iguais

Qualquer uma galanteias

Sempre procurando mais

Pra prenderes em tuas teias

 

Como podes esperar

Por um amor verdadeiro

Se tu nao sabes amar

Se nunca te das inteiro?

03
Jan14

QUIS DEUS


sopa-de-letras

 

 

Quis Deus, um dia mostrar

Que nada vale o que aprendi

Ensinando-me a amar

Esta saudade de ti

 

Ao trazer-te á minha vida

Explicou-me o que ė amor

Numa fase tao sofrida

Tao devastada p'la dor

 

Muito perdida eu andava

De tudo o que ė emocao

E, confesso, nao esperava

Perder assim o coracao

 

Olhei-te....o mundo parou !

So tu e eu frente a frente

O momento eternizou

Tudo isto que a gente sente.

03
Jan14

DEUS NAO DORME


sopa-de-letras

 

 

 

 

Estórias que trago em mim

Desde a minha meninice

Algumas com triste fim

Que vi, ou que alguém me disse

 

Naquele tempo, era a vida

Bem difícil de suportar

Muita gente mal nutrida

Sol a sol a trabalhar

 

De entre toda essa gente

A um casal, certa vez,

Quis Deus, dar de presente

A benção duma gravidez

 

Pensaram ser arriscado

Nao quiseram aceitar

Pediram dinheiro emprestado

P'ra criança desmanchar

 

E atrás duma, outra veio

E mais vieram depois

E sempre o mesmo receio

Se apoderava dos dois

 

Varios abortos, em vão,

Não por maldade, talvez

Por recearem que o pão

Nao chegasse para três

 

Um dia a vida mudou

Melhorou a condição

E o filho que Deus mandou

Aceitaram com paixão

 

Amavam aquele menino

A razão do seu viver

Dia a dia o pequenino

Continuava a crescer

 

Quinze anos completou

Aquele filho tão amado

Quando a morte se acercou

Pedindo contas do passado

 

Escusado será dizer

O desgosto que tiveram

Por tanto amar e perder

O filho que eles quiseram

 

Eu nao sei se inferno há

Para saldar os pecados

Mas acredito que é cá

Que todos ficam saldados

 

BL

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