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POETA É O POVO

POESIA

POETA É O POVO

POESIA

08
Fev18

VINICIUS DE MORAES - A MIRAGEM


sopa-de-letras

A miragem

Rio de Janeiro , 2004

Não direi que a tua visão desapareceu dos meus olhos sem vida 
Nem que a tua presença se diluiu na névoa que veio. 
Busquei inutilmente acorrentar-te a um passado de dores 
Inutilmente. 
Vieste - tua sombra sem carne me acompanha 
Como o tédio da última volúpia. 
Vieste - e contigo um vago desejo de uma volta inútil 
E contigo uma vaga saudade… 
És qualquer coisa que ficará na minha vida sem termo 
Como uma aflição para todas as minhas alegrias. 
Tu és a agonia de todas as posses 
És o frio de toda a nudez 
E vã será toda a tentativa de me libertar da tua lembrança. 

Mas quando cessar em mim todo o desejo de vida 
E quando eu não for mais que o cansaço da minha caminhada pela areia 
Eu sinto que me terás como me tinhas no passado - 
Sinto que me virás oferecer a água mentirosa 
Da miragem. 
Talvez num ímpeto eu prefira colar a boca à areia estéril 
Num desejo de aniquilamento. 
Mas não. Embora sabendo que nunca alcançarei a tua imagem 
Que estará suspensa e me prometerá água 
Embora sabendo que tu és a que foge 
Eu me arrastarei para os teus braços.
23
Ago17

TONS DE FADO MAIOR


sopa-de-letras

28305_fado_maiopr.jpg

 

 

Sou triste por natureza
Alegre por vocação
Mandei embora a tristeza
Floriu meu coração

 

Naquele dia marcado
Pelo ferro do destino
Começava o nosso fado
Terminava o desatino

 

Tantas vezes nos cruzamos
Pelos caminhos trilhados
Mas nunca nos encontramos
Por não estarmos preparados

 

Era preciso sofrer
Para, então, se dar valor
Ao que estamos a viver
A este, tardio, amor

 

Instantes hoje vividos
Amanhã serão memória
E para sempre sentidos
Na alma da nossa estória

 

Hoje vamos lado a lado
Seja lá para onde for
Vivemos o nosso fado
Em tons de Fado Maior

 

23.08.0217, BMVL

09
Jul17

OS VENDILHOES DO TEMPLO


sopa-de-letras

 

Giordano_Luca-ZZZ-Expulsion_of_the_Moneychangers_f

 

Deus disse: faz todo o bem
Neste mundo, e, se puderes,
Acode a toda a desgraça
E não faças a ninguém
Aquilo que tu não queres
Que, por mal, alguém te faça.

Fazer bem não é só dar
Pão aos que dele carecem
E à caridade o imploram,
É também aliviar
As mágoas dos que padecem,
Dos que sofrem, dos que choram.

E o mundo só pode ser
Menos mau, menos atroz,
Se conseguirmos fazer
Mais p'los outros que por nós.

Quem desmente, por exemplo,
Tudo o que Cristo ensinou.
São os vendilhões do templo
Que do templo ele expulsou.

E o povo nada conhece...
Obedece ao seu vigário,
Porque julga que obedece
A Cristo — o bom doutrinário.

António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."
28
Jun17

FUGINDO AO FADO


sopa-de-letras

Fugindo ao fado

P'ra viver em paz

Eu vivo enganado

E nao sou capaz

 

Por mais que queira

Esquecer tua voz

Nao passa a cegueira

E a saudade de nos

 

Fado sem guitarra

`E so um lamento

Guitarra sem fado

Nao tem complemento

 

Fado por fado

Mais vale calar

Vozes do passado

Fartas de gritar

 

 

BL 28.06.2017

24
Jun17

O ECO


sopa-de-letras

A cada desilusao eu morro um pouco mais
Caminho para o abismo
Queria partir com a sensacao de quem parte satisfeito
Com a certeza de que valeu a pena passar por aqui
Mas pressinto que vou triste e decepcionada
Cada pedacinho de felicidade `e tao dificil de chegar
E tao rapido a partir....
Quero apenas o que sempre procurei
Encontrar noutro ser o eco de mim propria
Apenas isso...
Missao impossivel.

21
Jun17

PERFUME DE ROSAS


sopa-de-letras

7254635.jpg

 

Tive perdas dolorosas

Gente linda que eu amei

Que trago no coracao

Tal e qual como as rosas

Seguiram da vida a lei

Tendo a mesma condicao

 

Perfumaram minha vida

Levaram parte de mim

E partiram tristemente

Fiquei por ai perdida

Numa tristeza sem fim

Tao so entre tanta gente

 

Sei que todos caminhamos

Na estrada que bem ou mal

Nos ha-de levar `a morte

Mas doi quando  lembramos

De quem partiu e afinal

Teve tao infeliz sorte

 

21.06.02017

poema de Maria V Letras

21
Jun17

TARDE NA VIDA


sopa-de-letras

WIN_20170527_20_04_27_Pro.jpg

 

Um tanto tarde na vida

Chegaste junto de mim

Triste, cansado, perdido

Eu estava tambem perdida

Pressentindo ja o fim

Por tanta dor ter vivido

 

Nessa imensa solidao

Que julguei poder vencer

Eu nao tinha percebido

Que havia ainda ilusao

Muita vida por viver

Um mundo desconhecido

 

Houve troca de carinho

E sem a gente perceber

Os coracoes se entenderam

Demos as maos no caminho

Fomos andando sem ver

As patadas que nos deram

 

O mundo de boca aberta

Julgou-nos sem piedade

Por sermos tao apressados

Ninguem pensou pela certa

Que p'ra amar na nossa idade

Ja estamos `e atrasados

 

Seguimos na nossa estrada

Sem remorso e sem ter medo

Do que a vida nos oferece

Qual brisa na madrugada

Nosso amor `e um rochedo

Erguido aos ceus numa prece

 

21 de Junho de 2017

Poema de Maria V Letras

Dedicado a Jorge Miguel

 

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